Quem não se lembra da entrevista emocionante, dada em rede nacional, pelo jogador Ronaldo, onde ele declarou que estava encerrando sua carreira profissional como jogador de futebol?
O tema foi polêmico e levantou muitos questionamentos, inclusive de profissionais da saúde. Seria somente o ganho de peso que impedia Ronaldo de continuar como jogador?
Podem haver nuances desconhecidas neste caso, mas nosso objetivo aqui é analisarmos as limitações que a doença do hipotireoidismo pode acarretar à vida das pessoas.
Muitos acreditam (equivocadamente) que o ganho de peso é o mais importante dos sintomas desta doença. Isso não é verdade.
Entendendo o hipotireoidismo
Quando estamos saudáveis e as coisas estão indo bem nos sistemas de nosso corpo, a glândula tireoide, que fica situada na região do pescoço (seu formato lembra uma borboleta com assas abertas), produz os hormônios T3 e T4 e desempenha suas funções muito bem. Mas o que dizer quando as coisas ficam fora de sintonia?
Quando esses hormônios não estão sendo produzidos em quantidade suficiente, eles provocam um mal desempenho do organismo, que se torna lento e limitado.
Por que os hormônios T3 e T4 são essenciais?
1) Ajudam as células a converter calorias e oxigênio em energia.
2) Determinam o crescimento e desenvolvimento de muitos tecidos no corpo, incluindo o cérebro e esqueleto.
3) Trabalham para aumentar a taxa metabólica basal – que é a quantidade de energia que você queima apenas sentado.
Você está mais propenso a desenvolver hipotireoidismo se:
- Você é uma mulher;
- Você tem entre 40 e 60 anos (também acomete jovens);
- Você tem uma história familiar de doença da tireoide;
- Você tem outra doença autoimune (como a diabetes de tipo 1, artrite reumatoide, lúpus, etc);
- Você já esteve grávida nos últimos seis meses;
- Houve remoção da glândula tireoide (a forma mais comum é causada por uma inflamação chamada Tireoidite de Hashimoto, uma disfunção autoimune, que atinge a tireoide de forma lenta e gradativa).
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Os sintomas do hipotireoidismo
- Fadiga intensa;
- Ganho de peso ou inchaço por retenção de líquido;
- Depressão e humor deprimido;
- Dores articulares e musculares;
- Pele fria;
- Unhas quebradiças;
- Cabelos quebradiços;
- Menstruações irregulares;
- Dificuldades no metabolismo do cálcio;
- Sensibilidade ao calor e ao frio;
- Dormir mais que a média;
- Diminuição da libido;
- Contusão e/ou problemas de coagulação;
- Alergias que surgem de forma inesperada ou pioram;
- Sensação de “formigamento” nos punhos e mãos;
- Perda de memória, pensamento confuso, dificuldade em seguir uma conversa ou linha de pensamento.
O ganho de peso que tanto preocupa as pessoas com hipotireoidismo, tem mais relação com a retenção de líquidos, pois a fome na maioria dos casos é reduzida, em virtude do cansaço provocado pela doença.
Assim vemos que obesidade e hipotireoidismo não são sinônimos, aliás, poucos obesos têm a doença.
O hipotireoidismo subclínico (não mostra sintomas) pode apresentar-se em versões leves destes sintomas, ou frequentemente apenas fadiga ou depressão.
Alguns poucos casos desenvolvem o bócio, que é um alargamento da tireoide suficiente para ser visível externamente. A glândula aumenta para tentar compensar a sua produção lenta. Bócio também pode resultar de uma tireoide hiperativa, chamada hipertireoidismo (escreverei sobre isso em outro artigo).
Diagnóstico
O diagnóstico é feito através da medição dos níveis sanguíneos do hormônio estimulador da tireoide (TSH). Se o nível de TSH estiver elevado, ou seja, acima de 6 (sendo que o valor normal é 4), isto significa hipotireoidismo. Mas se os níveis de T4 estiverem baixos, também indica hipotireoidismo e também precisará haver reposição de hormônios.
Uma observação: embora a ingestão adequada de iodo seja necessário para uma tireoide saudável, quantidades excessivas, podem causar ou agravar hipotireoidismo.
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Tratamento
O tratamento do hipotireoidismo inclui reposição hormonal sintética (idêntico ao T4). Apesar de simples, eficaz e sem reações indesejáveis é um tratamento para a vida toda.
Algumas dicas rápidas e fáceis para aumentar a saúde geral da tireoide:
1) Diminua o stress através da meditação ou exercício.
2) Beba chá de camomila e durma mais. Em tempos de estresse, o hormônio cortisol, cancela a produção de TSH.
3) Exercício! De baixa intensidade e exercícios aeróbicos regulares pode estimular a produção de hormônios da tireoide.
4) Fique atento com os alimentos que podem causar bócio, os chamados bociogênicos, ou que contenham isoflavonas em grande quantidade. “Alimentos como repolho, nabo, soja e couve podem ser consumidos uma ou duas vezes por semana, mas não todos os dias”.
5) Vá devagar com o glúten. À semelhança de outros alimentos que podem causar inflamação, glúten é um assunto perigoso (aquele em que eu vou fazer um post separado em breve!). As pessoas que têm a doença celíaca acham que o glúten agrava problemas autoimunes da tireoide, por isso você deve ir com calma no seu consumo.
Saiba que 70% do seu sistema imunológico vive em seu intestino delgado (duodeno). No caso da tireoidite de Hashimito, o trato digestivo precisa de cuidados tanto quanto a tireoide. Por este motivo você deve considerar limitar a ingestão de trigo, cevada, centeio ou até ficar completamente livre de glúten.
Algumas pessoas com tireoidite de Hashimoto fazem exames para identificar se possuem a doença celíaca. Isso é feito porque a doença celíaca pode fazer com que as pessoas continuem a ter sintomas do hipotireoidismo, mesmo usando doses cada vez mais altas de reposição hormonal da tireoide.
Introduza em seu cardápio
a) Castanha do Pará – que contém selênio que turbinam sua tireoide. 2 unidades por dia já são suficientes.
b) Quinoa ou Amaranto – que são ricos em vitaminas e minerais como zinco e ômega 3 e são ótimos também para a saúde da tireoide.
Leitura recomendada: Quinoa! Este é sem dúvidas o melhor cereal do mundo!
Considerações finais
Por fim, não desanime!
É totalmente possível levar uma vida normal, saudável e feliz mesmo com hipotireoidismo. Fique atento ao uso regular e correto da medicação, pois não tratada de forma adequada, a doença pode acarretar sérios problemas como: elevação nos níveis de colesterol, maiores chances de doenças cardiovasculares entre outros.
Um super beijo e até a próxima!
Aurideia Vasconcelos
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E e bom saber sobre nossa saude,este artigo para mim foi de uma otima inportancia. obrigado mais uma vez.
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Olá Silvana, tudo certo?
Sempre estaremos por aqui para ajudá-la da forma que pudermos, portanto, seja sempre bem vinda.
Para nós é um privilégio poder contribuir para você tenha mais saúde.
Super beijo!
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